domingo, 4 de outubro de 2009

Religião

Apologética

Apologética (ou defesa da fé) foi uma situação usada pelos apóstolos de Jesus para justificar o apocalipse do reino sacerdotal-rabínico dos hebreus de sua época. Na idade média, apologética virou teologismo e esse teologismo recebido do filosofismo místico grego acabou por se transviar em conciencionismo nos nossos tempos atuais.

Na apologética original tratou-se de se estabelecer o “nome de Jesus”, ou seja, os hebreus faziam questão de conhecer o nome com o qual o eterno se apresentava (e tinha muitos nomes), pois o nome lhes dava a perspectiva do propósito de sua missão:

Deus significava misericórdia

Jeová significava justiça

Ia significava guerra

Shaddai significava o poderoso, sua forma mais imprevisível

(espero que me desculpem a falta de revisão do que está escrito e

se alguém quiser me mande estes textos revisados e editados que

eu substituo ! ok?)

Mas e o nome de Jesus? O que significava? Jesus era só o filho de Maria, o irmão de Iacob, cujo pai era o carpinteiro José. Coincidência ou não sabemos que Jesus era o nome Jeová com uma outra letra inserida na composição, ou seja, significa JEOVAH-SALVA.

O que é esta salvação? Esta libertação? Esta restauração? É uma das muitas coisas que tentarei expor aqui.

Leiam estes artigos, participem de debates, complementem, contestem ajudem a provocar reavivamento.

Grandes verdades

A parábola do semeador é uma codificação de observações sobre as reações humanas, e por mais simples que pareça, traz três formas de reações à realidade.

Muitas vezes estamos tão ocupados em ganhar a vida que nos passam despercebidas as boas coisas que nos cercam e as boas sementes de alegria que poderiam ser plantadas em nós. Nossa vida pode ser recheada de felicidade e podemos não perceber. Você já parou para tomar banho de chuva, jogar bola no capim molhado, ouvir o canto dos pássaros, apreciou a brincadeira das crianças, já olhou as flores, se permitiu passear de mãos dadas com a pessoa amada na beira da praia em um dia de sol ameno?

O amanhecer, ah, o amanhecer com toda a sua magia do acordar da vida, os raios de luz se projetando por entre as folhas das árvores!

No livro do Êxodo. 6:9 Moises revela que estamos tão endurecidos pelo dia-a-dia que somente milagres nos fariam acreditar no espiritual.

Jesus era um apaixonado pela vida. Suas atitudes e respostas sempre enviaram a consciência das pessoas à beleza da criação, ao falar sobre a vaidade religiosa de se parecer bem vestido mandou que apreciássemos as flores, para a necessidade de escolher alimentos nos mostrou os pássaros, ao ser perguntado se era o messias mostrou pessoas restauradas por acreditar nele. Também me recordo que é das crianças o ser lembrado por anjos no reino dos céus.

Creio em Cristo, creio que é na inocência do equilíbrio que nos encontraremos com a paz.

A vida de Jesus é a perfeição do que deveria ser a nossa vida, e não no sentido meramente religioso. Toda a sua vida é restauração, é oferta, é apreciação da natureza e da vida. Vejo em Jesus uma criança bem criada em amor, com uma mãe educada e colaboradora do pai José, um homem que foi exemplo do provedor e protetor.

A bíblia nos conta que tudo foi a realização de profecias, mas , certamente, os bons exemplos e a educação familiar em muito influenciaram a constituição da personalidade do Cristo. A vida religiosa familiar também conta, e vemos um Jesus menino acompanhando os pais no cumprimento das exigências da religião.

Concluindo.

A vida familiar, o exemplo dos pais, a companhia dos amigos e infância, o cumprimento das normas religiosas certamente O ajudaram a apreciar a beleza da vida a ponto de perdoar aqueles que O crucificaram.

Estas são grandes verdades.

A nova lei

Jesus representa a perda da validade de todas as regras religiosas.

As leis do testamento de Moises e todos os profetas não valem mais; juntamente com essa idéia é que no capitulo 10 de Lucas um fariseu (entenda-se mestre da lei de Moises) arriscou-se a tentar com Jesus o garantir do exercício de sua profissão no novo reino e perguntou o básico a respeito do reino de Deus. Ora, é comum para as pessoas que tem muitas riquezas (entenda-se apego ao que tem ou ao que sabem) tentar manter aquilo que conseguiram mesmo após a morte. Não entendo se o conceito de vida eterna para este fariseu era aprender ou se garantir, mas com certeza não era se converter.

A mensagem evangélica não era nada agradável; era o grande e terrível dia do Senhor. Se considerarmos que a profecia de Malaquias era dirigida aos sacerdotes, entenderemos o que representou a leitura de Is. 61 1-2 e como se não bastasse, o comentário que fez em Lucas 4, 22.

Lembro que Nazaré da galileia é um ponto de passagem e repouso praticamente para quem viaja do mediterrâneo para a antiga decápolis e a grande metrópole, para a fenícia, para a Samaria e até para a Judéia tanto pelo caminho do mar como pelo caminho da montanha (via jerico), assim aquelas palavras ditas na pequena sinagoga rapidamente se espalharam por todo o mundo judeu.

O dia do Senhor, o terrível dia do julgamento das autoridades de Israel era um evento esperado mas não desejado por nenhum dirigente associado ao reino sacerdotal de Jerusalém , pois representava o fim da classe dirigente , o fim das leis de Moises , o fim dos rituais , a promulgação de uma nova lei pela presença do próprio Jeová Deus entre os homens , passeando em seu jardim tal qual fizera com Adão . Jesus acabara de proclamar a restauração, o jubileu da graça (leia a profecia toda em Isaias 61, 1-11 e 62, 1- 66,24)

Jesus não precisava agir como o juiz que cobraria a prevaricação, sua própria presença já representava o juízo final, daí por que tentaram envolve-lo com abstrações, ofereceram-lhe para ser rei, chamaram-lhe de filho de Davi, disseram-lhe profeta, tentaram adulá-lo com reuniões e banquetes, tentaram até servir-lhe de apoio de testemunho dele próprio e de sua missão. Todos queriam, senão se eximir de culpa, ser reconhecidos inocentes.

Percebo no jovem rico e em Nicodemos duas pessoas que entram em contato com Jesus como que querendo um carimbo em seu passaporte que permitisse sua viagem para o céu como residente definitivo, o primeiro pelo fazer o segundo pelo saber.

Hoje de manhã dois jovens evangelistas “estudantes da bíblia” me disseram que o importante não é quanto se conhece da escritura, concordo, mas o merecimento também não tem nenhuma importância, pois é notório que Deus jamais olha nenhum homem com parcialidade de valores humanos e está mais que sabido que nossos critérios do que é bom e bem ficam muito aquém do que Deus considera certo ou errado. Percebo até que a grande luta dos apóstolos é em estabelecer “o nome de Jesus” e não de Jeová, El, Shadai. Iah, Adonai... mas Jesus, o único nome sobre o qual importa para a salvação.

A nova lei não se comporta abstracionada, não da para ser sincretizada ou miscigenada, não pode ser misturada a nada antigo, pois a tudo supera. A nova lei desconsidera o coletivo e trata do individuo, do qual o coletivo é decorrência, reconstrói pelo âmago, relê direto na formação, não inibe o caráter, pois modifica a personalidade, não reaviva o velho mas faz renascer, ou nascer o novo.

Jesus instou aos eruditos de sua época a reconhecer os sinais, as curvas do tempo assim como reconheciam as mudanças climáticas e o sotaque Galileu de Pedro quando o queriam prender mas foram incapazes de reconhecer a voz de Deus que queria lhes resgatar.

O despertar

Um dia, quando eu era jovem, acordei numa quarta-feira de cinzas na beira da praia com uma imensa luz que me tirou de meu sono. Ao olhar para ela percebi que à medida que a alvorada ia prosseguindo as coisas também saiam da obscuridade, as águas da escuridão se separaram e descobri o firmamento e a plena divisão da linha do horizonte, as ondas do mar se movimentando, a lua ainda visível no céu, os pássaros, as gaivotas, as árvores, pequenos siris na beira do mar, a grama sobre a qual eu estava e as pessoas a minha volta, a vida, o belo, o natural: esta foi a minha Gênese.

Lembranças

Lembro que o sermão da montanha caiu sobre mim tal qual faria o efeito de um fluxo de dados em uma placa mãe rachada, ou seja, eu não funcionava. Se para Paulo de Tarso o efeito foi cair do cavalo, em mim foi o choque entre ler um livro e ver naquele livro a minha vida e tudo aquilo que nunca havia cobrado de mim. Tudo aquilo que nunca dera oportunidade de me advertir estava sendo dito por aquele carpinteiro a um bando de esfomeados na Palestina há dois mil anos e a partir de então eu era um deles.

- Mas quem ele pensa que é? Como é que passa uma série de normas para vivermos? Ai entendi que o que aquele religioso estava dizendo não eram leis que eu tinha que seguir mas eram o fruto de suas observações ao longo de seus trinta anos de vida. Ele via as pessoas que faziam isso naturalmente estarem em um estado de felicidade incomum simplesmente porque eram assim, mas não servia para ser seguido como regra, tinha que ser natural, e para ser natural em mim não era só seguir: Eu precisava nascer de novo! Somente outra pessoa que não eu poderia ser naturalmente assim, eu já não servia, já não me prestava a ser feliz.

Descobri naquele “pescador de pescadores” uma pessoa diferente, um ímã, um dínamo e um ícone. Nele, tudo em mim era o oposto completo. Nele a perfeição que ele mesmo enfatizou, em mim a eterna sede nunca saciada.

Para mim, a utopia que ele pregava era fascínio, hipnotizante. Fiquei feliz com a sua felicidade de tal modo que esqueci minha tristeza, só o via, não mais me enxerguei: encontrei a fé! O encontrei e me perdi de mim. O mundo ficou diferente, mais claro, mais bondoso, mais alegre, menos egoísta, mais humano. Com o tempo percebi que não era o mundo, era eu! Algo mudara: meu perceber, meu ser, nasci!

O carpinteiro de Belém

Tem gente que acha que a fé em Jesus resolve tudo, e não é bem por ai. Negar as necessidades da vida e aguardar o tempo de Deus pode ser muito bom para anjos do céu, que são eternos, nós, porem, temos um simples pedaço de tempo e uma realidade imediata para administrar e não vai ser cruzando os braços e esperando ajuda sobrenatural que resolveremos nada, podemos até conseguir uma certa conformação mas não podemos contar com o auxilio do Eterno para a manutenção daquilo que Ele mesmo delegou como função e nossa responsabilidade. Deus criou tudo em harmonia e co-dependência

Percebo que quando Deus mandou a Adão que dominasse não o mandou de qualquer modo, o que Ele quis dizer é que Adão dominaria se descobrisse como conviver harmoniosamente com a ordem da criação e das criaturas, tanto que quando a harmonia foi quebrada a primeira vez as conseqüências foram trágicas:

a) Perda do relacionamento consigo mesmo e inicio da depreciação moral, o que foi perceptível pelo pregar em demasia a estética (o homem se percebe nu).

b) Tensão no relacionamento familiar. O amor movido pelo pecado foi substituído por uma necessidade de domínio e sujeição

c) Dificuldades no trabalho para a própria subsistência, o ambiente torna-se hostil e resistente ao domínio desenfreado e inconseqüente.

d) A morte entrou na criação

e) Perda do relacionamento com Deus

O acreditar em Cristo não funciona se não acreditar em mim, no novo ser renascido em Cristo.

O carpinteiro passou o tempo todo pregando isso: é necessário nascer de novo. Ora, quem é o renascido? É o novo homem, aquele que é varão perfeito em amor, aquele que era que morreu e que agora vive. Assim não me basta a fé! Tenho que fazer a minha parte, pelo menos em minha própria vida.

Descobri em uma frase do evangelho que Cristo é o novo Adão.

Curioso, Adão era jardineiro, trabalhava com árvores vivas, Jesus, entretanto, carpinteiro, dá vida a árvores mortas.

Príncipes de pés sujos


a) A carta de Tiago nos coloca em frontal realidade, nos tranca em nosso subconsciente fazendo-nos enfrentar a nós mesmos, apresenta nossa imagem em um espelho que tudo reflete ao contrário e nos faz o convite de quebrar o original. Leia esta carta e depois volte para cá...

b) Grande parte dos problemas que conseguimos é por erro de comunicação (Tiago fala dos males da língua). A comunicação é aventura, é tentar uma linha em comum com outra consciência, e como se fosse possível, o toque entre dois universos com o quebrar de suas harmonias interiores. Comunicar-se é, ao mesmo tempo, uma necessidade e um risco. Assim, nossa comunicação deve ser originada de um coração puro, pois nossas palavras são amostras do tesouro que guardamos dentro de nós.

c) Jesus explica que a boca fala sobre aquilo que o coração está cheio “o bom tira de seu bom tesouro coisas boas...”, e como é que esse tesouro se faz como se enche? Jesus também responde: por um processo de perceber a comunicação “se teus olhos forem bons, quão grande será tua luz...”, por isso que Paulo nos dá a fórmula para uma vida feliz quando diz que o amor não suspeita mal, pois aquele que recebe com luz qualquer treva que lhe é ofertada não é afetado por ela, e se recebe luz, a amplifica.

Nosso enfoque é o que determina nossa realidade, o que somos o que nos tornamos e o que ofertamos, e isso não é feito em uma cerimônia de lava pés que é apenas um simbolismo do ser limpo da velha estrada por onde se caminhou, isso é feito pela mente inquiridora, regenerada pela lavagem do Espírito Santo de Cristo.

Tiago está certo em outro ponto: se fugirmos do diabo ele fugirá de nós (Tg. 3, 14-17)

Que nova doutrina é essa?

Esta pergunta ecoou em toda a palestina judaica no ano 30 d.c . O evangelho de Marcos (1:27) bem define o que é cristianismo.

Cristianismo não é messianismo judaico, também não é aprimoramento do judaísmo nem continuidade do judaísmo, cristianismo é exatamente o que a pergunta define:

1º Uma nova doutrina (diferente, outra que não a já conhecida)

2º Doutrina (ensinamento, compreensão de dimensão dogmática do sobrenatural e seu inter-relacionamento com a natureza e com as pessoas)

3º Cristianismo não é religião, nem tem nada com religião, não é uma forma de fazer as pessoas se sentirem mal consigo nem muito menos com a vida, mas é a forma correta e concreta de viver em total liberdade e em total consonância com o interesse do eterno criador.

Não importa o que as escolas dizem! É só ler o evangelho para compreender o que digo, especialmente quando a religião dos hebreus tinha um compromisso de três pontos que jamais poderiam ser quebrados, os estatutos, as leis, e os juízos, compreenda estatutos como a tradição dos antigos (essa Jesus não só quebrou como até afirmou em vários pontos ser pervertida e usada no interesse do poder). As leis ele manteve (são os componentes dos dez mandamentos, que não são de maneira nenhuma exclusividade dos hebreus, mas leis de consciência existentes em qualquer ser humano em qualquer tempo e espaço geográfico do mundo. Quanto aos juízos (ou aquilo que nos era ensinado imediatamente pelos escribas), esse foi plenamente quebrado por Jesus e os escribas foram acusados de estelionato, apropriação indébita e falsidade ideológica (agir contra a “fé” do povo).

Precisamos entender que o livro de Malaquias prevê a vinda de um profeta orientador (o que era popularmente chamado de anjo) e que como conseqüência deste anjo viria o Dia do Senhor, ou seja, o próprio Deus estaria presente e isso não era admissível aos que só tinham como lei a Torá (que compreendia o Deuteronômio, o Gênesis, o Êxodo, o Levítico e os Numeros). Pois os profetas nunca eram aceitos como reais até que toda sua profecia se realizasse, assim a própria tradição religiosa eliminava qualquer atualização da mensagem de Deus.

A velha doutrina dos hebreus estava desatualizada, e mesmo que o cristianismo tenha surgido no meio hebreu, o Deus que viria não era só o Deus dos hebreus, era o Senhor do universo, e na presença do Delegante, aqueles que seriam os seus procuradores automaticamente perderiam (e perderam) sua função, até porque o Delegante (Deus) desprezaria velhas regras desatualizadas e infrutíferas e ditaria novas, adaptadas as novas necessidades... e quantas vezes Jesus falou “EU PORÉM VOS DIGO” .

Jesus bem declarou que não veio destruir ou desvirtuar a lei e os profetas,

e o fez quando declarou o mérito “se recebe os outros aquilo que se dá”

O capitulo quinze de Mateus é contundente. Se verificarmos o que diz Tiago em sua carta (2:10), perceberemos que Mateus 15:6 Jesus realiza o julgamento dos anciãos de Israel através da classe teológica (os escribas). A lei perdeu o sentido, foi quebrada, não era mais necessário a norma, mas a pena; não se tratava de pecado, pois pecado tem haver com culpa (culpa é sentimento interior), o caso era responsabilidade quebrada, não assumida ou deturpada, a lei estava sendo corrompida por aqueles que, acima da lei, deveriam usá-la para preservar a vida através da justiça e do direito.

A teologia tem ensinado que o velho testamento é parte inalienável do novo, mas não é. A lei (o Decálogo) é que é parte inalienável da consciência humana, e o Decálogo não faz parte do antigo testamento, apenas foi registrado lá pois esta foi a lei com a qual Deus Pai equipou a humanidade desde o seu nascimento. Paulo lamenta isso dizendo que aquilo que era para vida acabou operando a morte.

Somente compreendendo a nova doutrina é que se capta isso, e não me refiro a nova doutrina de Cristo mas da velha doutrina que foi ensinada a humanidade desde Adão.

A Ceia

Conheço umas pessoas que todos os dias a noite tem uma fila de recicladores de lixo parados à sua porta para receber um sopão.fico me perguntando se essa é a caridade cristã ou é simplesmente esmola. Não tenho nada contra o socorro dos necessitados em causas emergenciais mas criar uma situação destas me parece criar uma dependência humilhante e irreversível.

Quando percebo que se abre o portão de alumínio daquele bonito chalé vejo que ali está a diferença entre caridade e esmola. As pessoas recebem o alimento com um olhar agradecido de quem se acostumou a aproveitar qualquer oportunidade para se alimentar e depois, quando o portão se fecha, continuam do “lado de fora”. A esmola é um dom que desce do auto, mas que como o sol de clima gelado, ilumina e pode matar. A esmola deixa a pessoa do “lado de fora”, não produz proximidade, o necessitado é sempre visto como “o necessitado” e nunca um irmão que pode entrar em nossa casa, e como não é nosso irmão nunca poderemos cear na casa dele. A esmola é poso para estrangeiro, para o alienígena, e quanto ao ofertante, embora religiosamente satisfeito, sempre se mantém do lado de dentro tal qual o irmão mais velho do filho pródigo.

Jesus nos contou uma parábola a respeito desta situação: o rico e Lázaro. As migalhas da mesa que Lázaro necessitava não eram comida, era igualdade, era sentir-se participante de uma vida (mesa) que poderia ser melhor e a esmola não poderia ofertar isso. Caridade seria o envolvimento da sociedade com os necessitados fazendo-os progredir, educando-os, dando-lhes condição de manutenção da própria vida. Não digo que atender as carências imediatas esteja errado, mas não trabalhar de forma a eliminar as causas dessas necessidades é tentar suprir eternamente a pobreza, e pior, é tentar ser eternamente rico.

O conceito de benefício social de Cristo não é alienante, ao contrário, é capacitador, é reconciliador, e não pode haver conciliação enquanto existirem diferenças e o único modo humano de desfazer diferenças é através do ensino e da oportunidade de trabalho.

Há um compositor do Ceará que canta que “o homem sem trabalho não tem honra pois sua vida é o trabalho”. Ai está plenamente descrito por que os hebreus consideram a pobreza um estado de morte irremediável.

Compreender a “mente de Cristo” não é tão fácil. A chamada simplicidade de Cristo é verdadeira enquanto a sua prática eminente de bondade, doação de si mesmo e amor pela natureza e a vida humana, mas a ideologia de Jesus transcende às nossas bondades em um emaranhado de processos libertatórios e valorizadores cuja ponta da linha nasce de Deus Pai.

A ceia cristã ordenada para memória do Senhor, tem por objetivo o representar a comunhão, honra de ser considerado digno de estar à “mesa” de Deus e nunca, jamais, ser a lembrança de um portão de alumínio que será fechado em breve , nos abandonando “do lado de fora” com a barriga cheia por um sopão que jamais encerrará nossa fome, que jamais nos capacitará a sermos iguais e que nunca derrubará o muro que sustenta aquele portão.

O bem em morte

Quando Deus criou os homens ele disse: “cresçam, multipliquem, dominem"

Já disse em capítulo anterior que esse crescer, esse multiplicar e esse dominar não era de “qualquer jeito”, mas existiam, e existem, regras de convivência.

Vamos fazer uma comparação:

Se você resolve criar uma onça, desde a infância hospedá-la em sua casa, alimentá-la, protegê-la, se você chegar até a dormir com sua oncinha no mesmo quarto, você vai ter um animal extremamente dócil. Mas essa criaturinha nunca vai deixar de ser uma onça, e na hora que você quebrar uma pequena regrinha de convivência irá compreender isso, pois a reação da onça será com todos os seus instintos.

Assim, para convivermos com o espaço que nos contém é necessário nos conter neste mesmo espaço.

Havemos em mente que toda a trama que nos é relatada nos primeiros quatro capítulos do Gênesis tem por missão demonstrar como o ser humano chegou ao fratricídio (Caim e Abel) e como a raça humana se dividiu em inúmeras culturas antes da época diluviana, e pela filosofia que foi elaborada na época de Esdras, a mente corrompida pelos interesses de sua própria necessidade não produz um relacionamento auto-sustentável, pois se torna consumista e predadora.

Nestes termos, o bem em mal ou em morte, foi produzido pelo uso da lei de Moises quando os juízes dessa lei tinham interesses particulares para defender.

Percebemos a preocupação deuteronômica de o sacerdote (os levitas, entenda-se o juiz) não ter direito a propriedade de terra dentro das divisões hereditárias de Israel, e mesmo tendo o direito de exploração, a devolveriam para os verdadeiros herdeiros no ano do Jubileu. O dinheiro, as propriedades, se tornaram fatores de corrupção quando o poder da justiça é parcial.

Também nossos desejos de santidade nos são prejudiciais, tendemos em comparar os outros não pelas suas realidades, mas pela nossa realidade. Isso é fonte de parcialidade, pois, para nós, o que somos geralmente é o normal e o ponto que deveria atingir qualquer outra pessoa.

O mal em bem ou o bem em mal também é atingido por nossa opinião. No que se refere ao trato das coisas da religião, tendemos a aceitar somente nosso Deus, nossa liturgia, nosso culto como único e verdadeiro, não admitimos nada que não concorde radicalmente com ele.

Jacó queria comprar o perdão, a igualdade com Esaú, pelos presentes que enviou à sua frente, não acreditava em si mesmo e nem muito menos verdadeiramente no amor de Deus, e encontrou isso somente quando usou de sinceridade absoluta para com o irmão; e esta sinceridade consiste não em igualar, mas em assemelhar e compreender as diferenças.

As tribos de Israel

Os hebreus usam o seu Velho Testamento como lições práticas e educativas. As personagens bíblicas da Torá, principalmente as do Gênesis, convertem-se em fonte de estudo de motivos, caráter, ação, reação e dinâmica, tanto para moral quanto para a ética e justiça social e divina.

Nós, cristãos, entretanto, divinizamos o Novo Testamento e tendemos a olhar para as suas personagens como super-seres infalíveis e aceitamos suas “doutrinas” como se fosse o próprio Jesus falando ou fazendo.

Aqui vai a chave, o Sagrado absoluto do Novo Testamento è Jesus de Belém, o Cristo, o Deus vivo, o Deus ressurreto, os demais eram seres normais, e embora inspirados pelo Espírito Santo eram sujeitos a erros humanos de palavras, ações e doutrinas. Devemos lembrar que Pedro logo após de ter sido comparado a uma pedra fundamental foi chamado por Jesus de Satanaz, e que Tiago diz que os cristãos ou mestres do evangelho ou apóstolos de cristo são sujeitos a falhas humanas tanto quanto foi Elias, que foi o profeta mais marcante do Velho Testamento. Assim os atos e palavras dos apóstolos são santos enquanto a sua intenção mas devem ser analisados quanto a sua certeza e sua praticidade na intenção do desejado por Deus.

Quanto a isso, devemos e temos o direito de discordar ou buscar atenuantes e propor concertos e adaptações à realidade em que vivemos, desde que guardados os princípios de harmonia com a doutrina cristã (ou de Jesus).

Em “Atos dos Apóstolos” há duas reuniões conciliares sobre dúvidas doutrinárias, a primeira quando Pedro teve que se justificar (cap. 11), e a segunda quando Paulo teve que justificar a inobservância quanto a ritualística da lei (cap15).

Também percebemos a mudança doutrinária em um mesmo apostolo, Paulo, que no inicio de seu apostolado pregava que o cristão maduro deveria se abster de atitudes que ferissem a susceptibilidade de outras pessoas (veja Romanos 14) e chega a circuncidar Timóteo que era filho de judia. Com o tempo, o mesmo Paulo pouco se importou com circuncisão e até levou Tito, um incircunciso, para participar de um concílio em Jerusalém com todos os apóstolos.

Assim sendo esses santos homens eram santos mas eram simples homens e estavam sujeitos a erros de palavras, ações e doutrinas.

Julguemos pois as dez tribos de Israel, mas segundo a reta jusiça.

Os lírios

Contam o hebreus que quando Deus criou o planeta terra as árvores eram sementes ainda não germinadas por dois motivos: primeiro não havia chovido na terra e segundo não havia homem para cultivar a terra. Na mesma oportunidade Deus proibiu o homem de comer da árvore do conhecimento d bem e do mau. Bem, fui ler o texto e descobri algumas coisas naturais.

1º se a árvore não foi plantada pronta e adulta, tal qual as outras foi cultivada pelo homem

2º juntamente com a árvore, outras árvores brotaram no jardim de Deus no exato instante em que o homem se tornou alma vivente.

Linda e elaborada trama que não infere em nada de construtivo para minha vida. Que me adianta ter conhecimento do pecado e me reconhecer culpado de uma dívida que não contrai pessoalmente e pela qual sou cobrado?

A teologia hebraica avançada já havia resolvido isso quando destruiu essa ideologia (Ezequiel 18:1-3), portanto é irreal a teologia do pecado original, pois os país são Adão e Eva (veja Ezequiel 18:20)

Há em Hebreus uma importante referência ao que seria a lei (entenda-se exigência para ser considerado justificado perante Deus), a saber, 7:12, assim a lei transgredida pela desobediência de Adão (como príncipe e sacerdote) até chegar Noé, que era justo diante de Deus. Isso significa que o pretenso “pecado original” foi coberto pelas águas no dilúvio que tal como um batismo simbólico cobre os pecados de um pecador. Isto depois foi substituído pela lei de Moises, e depois pela lei de Ezequiel e posteriormente pelo batismo de João batista até que o perdão foi declarado inexistente por Jesus sem a necessidade de rituais.

Faço notar que a doutrina do pecado original é simbológica quando metaforicamente aplicada a Jesus pelos apóstolos, mas não é juridicamente real conforme a lei de concepção que regulamenta a bíblia sagrada.

Para os hebreus Moises era um menino perfeito (as bíblias modernas traduzem como “formoso”) pois era circuncidado,ou melhor, já nasceu circuncidado. Se assim foi, jogá-lo no rio não foi um ato de abandono, pois a mãe o fez por fé e assim como Maria de Nazaré sabia o que estava fazendo.

De outra forma se não considerarmos as lendas judaicas e somente a tradição cristã, o “bonito” menininho teve uma irmã que ficou para ver, cruelmente, como ele seria comido por crocodilos, ou foi elaborada uma mafiosa trama para tomar o poder no Egito. Sabemos também que Moises tornou-se um príncipe da dinastia de Ramsés, o que certamente lhe garantiu a educação de um chefe de estado e aprendeu a escrita, matemática, lógica, ciências, astrologia e religião (além de outras mais). Estevão, o mártir, disse que educado como fora era poderoso em palavras e obras, palavras e obras estas que claramente reaparecem na teologia do pecado original.

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O rico

Percebo na história de Francisco de Assis que aquela frágil figura que se comparava ao mais simples da natureza, aquele pequeno e desprezível ser, torna-se um gigante a olhar para o alto e fazer descer o Papa de seu trono. Não foi o olhar contestador ou mesmo um resmungador descontente, mas a medida que fez ver ao Papa de onde poderia cair com aquelas ricas vestes.

O jovem Francisco o lembrou, com um simples olhar, do deserto das tentações de Jesus, do pináculo do templo onde os cheios de certezas vislumbram aqueles dos quais se destacam por se despir de fraternidade.

Esta história nos lembra que foram os anciões que decidiram a morte do jovem Jesus. Ora, os seres realmente espirituais são pacificadores, e não somente pacíficos!

As pessoas realmente espiritualizadas têm em si a consciência de sua própria fragilidade, e da fragilidade de suas próprias certezas, assim nunca se acham comparando os outros a si mesmo, pois não servem de modelo de certeza e verdade. Quando essa situação não existe, a experiência e a sabedoria dos mais velhos se transforma em insultos, a autoridade vira violência, a relação entre as gerações um choque permanente e até mesmo a comunhão vira uma utopia cada vez mais distante. Não é preciso dizer ao filho de José e de Maria, ao irmão de Tiago que antes de tecer uma crítica ele terá que crescer, pois não se está fechado em um estado fariseu dentro de nossa suficiência, ao contrário, nos encontramos como Lázaro, sem nada sabermos até que Cristo mande rolar a pedra que nos aprisiona em um túmulo escavado em rochas por mãos humanas, e alegremente agradecermos que os outros nos ensinem e que retirem as faixas que nos prendem em nossos próprios conceitos e certezas.

Jesus nos observa que somos incapazes de nos libertar, que a verdadeira suficiência para liberdade vem de Deus, liberdade pela palavra de vida, da vida humana que é a real palavra de seu Espírito.

Detenho-me

Detenho-me agora em uma pergunta que surgiu durante uma conversa com um conhecido.

O que temos feito para Deus além de orar, louvar e adorar?

Não sei por que as atitudes de religião estão se resumindo a manter os crentes dentro das congregações..

Que religião é essa que aprisiona os crentes com vigílias como se estivessem reconstruindo o templo para Esdras, que os leva a fazerem elos de correntes como se estivessem prisioneiros no cativeiro da deportação da babilônia de nabucodonosor, que tanto faz os crentes ficarem de joelhos quando o criador os habilitou com pés para andar, mãos para agir e cabeça que deveria pensar.

Que está acontecendo nas ditas “igrejas” que usam os “demônios” como personagens de marketing para produzir reuniões diurnas? Que ofertas são estas pedidas com um valor mínimo de vinte reais? OFERTAS ? Que pastorado é esse que só ora pelos irmãos cujos nomes estão escritos em um envelope no qual foram enviados os dízimos? Que óleos santos e milagrosos são esses produzidos com azeite de oliva cuja fórmula contém 70% de soja?

Detenho-me


Fonte : mpebrasil.tk

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